O espírito do "que caminha pelas matas", em nós habita. Que haja fôlego e disposição.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Francis Drake (1540 - 1596)

Francis Drake




Sir Francis Drake, Vice-Almirante (1540 - 27 de Janeiro 1596) foi um capitão Inglês, corsário, navegador, um pirata famoso e um político da era elisabetana. Elizabeth I da Inglaterra condecorou Drake de cavaleiro em 1581. Ele foi o segundo em comando da frota Inglês contra a Armada Espanhola em 1588, subordinado apenas a Charles Howard e à própria rainha. Ele morreu de disenteria em janeiro 1596, depois de um mau ataque a San Juan, Porto Rico. Suas façanhas eram lendárias, tornando-o um herói para os Ingleses, mas um pirata para os espanhóis, a quem ele era conhecido como El Draque, 'Draque " sendo a pronúncia espanhola ' Drake '. Seu nome em latim era Franciscus Draco ("Francis the Dragon") . O rei Filipe II foi reivindicado por ter oferecido uma recompensa de 20.000 ducados, cerca de £4.000.000 (EUA $ 6,5 milhões) pelos padrões modernos, por sua vida . Ele é famoso por (entre outras coisas), levando a primeira volta ao mundo Inglesa em 1577-1580.
Ficou conhecido por sua luta obstinada contra Felipe II da Espanha e por ter sido o primeiro dos grandes da marinha inglesa. Liderou a esquadra inglesa que derrotou a Invencível Armada, tida como a maior força naval da Europa à época, com desvantagem numérica e poucos mantimentos, assegurando a supremacia naval britânica. Fez pirataria nas Caraíbas contra navios e possessões espanholas, viajou ao longo da América do Norte e foi o primeiro comandante inglês a circum-navegar o mundo.

[editar] Biografia

Alguns historiadores afirmam que teria sido filho bastardo de Isabel I de Inglaterra. Chegou a capitão de navio aos vinte anos de idade. Dois anos mais tarde foi atacado e derrotado pela Armada Espanhola, perdendo o navio e quase perdendo a vida, o que lhe legou um ressentimento profundo aos espanhóis.
Em 1577, a rainha enviou Drake numa expedição para atacar os espanhóis ao longo da costa do Pacífico nas Américas. Drake partiu no Golden Hind, atravessou o estreito de Magalhães, devastou os territórios espanhóis das costas ocidentais da América, tomou posse da Califórnia (a que chamou "Nova Albion"), e regressou à Europa via Índias Orientais pela rota do cabo da Boa Esperança tendo completado a segunda circum-navegação do mundo (1580). O seu golpe mais famoso foi o ataque ao galeão espanhol Cacafuego (1579) ao largo da costa do Panamá.
Em 1588 liderou a Armada Inglesa na defesa ao ataque da Invencível Armada, da qual afundou vinte e três navios.
Morreu em 1595 após um ataque ao Panamá, afirma-se que de disenteria, tendo o seu corpo sido sepultado nas águas do Caribe. Segundo a lenda, o seu corpo foi lançado ao mar trajando uma armadura de ouro de dezoito quilates, com sua espada, também de ouro.
A Passagem de Drake tem esse nome em sua homenagem.

 Como é o visual por lá
 Estreito

Percy Fawcett (1867 - 1925)

Coronel Percy Fawcett


Fawcett nasceu em 1867 na cidade de Devon, Inglaterra. Em 1886 entrou para a Royal Artillery e acabou escalado para trabalhar no Ceilão, onde conheceu sua esposa. Depois trabalhou como agente secreto britânico na África Meridional e aprendeu técnicas de sobrevivência na selva.Fawcett era também um agente do serviço secreto inglês,o MI6 e estava como agente duplo servindo a organização secreta The Seven Circle,recrutado pelo controvertido spymaster, o mágico MaskMelin, desde que esteve no Ceilão e tomou contato com os sábios que decodificaram a estatueta que lhe fora presenteada pelo escritor H. Rider Haggard.Era também amigo do escritor Arthur Conan Doyle, que mais tarde utilizaram suas histórias como base para escreverem a obra "Lost World". Suas histórias também serviram de inspiração supostamente para a criação de aventuras envolvendo o personagem Indiana Jones.
A primeira expedição de Fawcett na América do Sul ocorreu em 1906 quando ele viajou ao Brasil para mapear a amazônia em um trabalho organizado pela Royal Geographical Society. Ele atravessou a selva, chegando em La Paz, na Bolívia em junho desse mesmo ano.
Fawcett realizou sete expedições entre 1906 e 1924. Ele tinha a habilidade de conquistar os povos que habitavam os locais explorados dando-lhes presentes. Ele retornou a Inglaterra para servir ao exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial, mas logo após o fim da guerra retornou ao Brasil para estudar a fauna e arqueologia local.
Em 1925 convidou seu filho mais velho, Jack Fawcett, para acompanhá-lo em uma missão em busca de uma cidade perdida, a qual ele tinha chamado de "Z". Após tomar conhecimentos de lendas antigas e estudar registros históricos, Fawcett estava convencido que essa cidade realmente existia e se situava em algum lugar do estado do Mato Grosso, mais precisamente na Serra do Roncador. Curiosamente antes de partir ele deixou uma nota dizendo que, caso não retornasse, nenhuma expedição deveria ser organizada para resgatá-lo.O seu último registro se deu em 29 de maio de 1925, quando Fawcett telegrafou uma mensagem a sua esposa dizendo que estava prestes a entrar em um território inexplorado acompanhado somente de seu filho e um amigo de Jack, chamado Raleigh Rimmell. Eles então partiram para atravessar a região do Alto Xingú, e nunca mais voltaram.
Muitos presumiram que eles foram mortos pelos índios selvagens locais. Porém não se sabe o que aconteceu. Os índios Kalapalos foram os últimos a relatar terem visto o trio. Não se sabe se foram realmente assassinados, se sucumbiram a alguma doença ou se foram atacados por algum animal selvagem.
Durante as décadas seguintes, foram organizadas várias expedições de resgate, porém nenhuma obteve resultado positivo. Tudo o que conseguiram foram coletar histórias dos nativos. Alguns disseram que eles foram mortos por indígenas hostis ou que animais selvagens os atacaram. Ouviram também algumas versões mais fantásticas dentre as quais destacam-se a história de que Fawcett teria perdido sua memória e estaria vivendo como chefe de uma tribo de canibais ou de que eles realmente encontraram a cidade perdida, mas foram impedidos de retornar para manter o segredo da existência de tal local.
Ao todo, cerca de 100 exploradores morreram tentando procurar pelos membros da expedição de Fawcett. Três expedições de resgate também desapareceram na mesma região, que continua praticamente inexplorada até os dias atuais.
Em 1952, seis anos depois do primeiro contato com os índios Kalapalo, os índios confidenciaram a história dos exploradores que haviam sido mortos muitos anos antes quando passavam na região. A narrativa levava a crer que os exploradores eram Percy Harrison Fawcett, Jack Fawcett e Raleigh Rimmell. O Cel. Fawcett teria advertido crianças da aldeia que, por sua curiosidade, ficavam perto de seu acampamento tocando nos objetos pessoais dos exploradores. A conduta do coronel, no entanto, não teria agradado os pais das crianças resolvendo, assim, responder àquela conduta ofensiva do visitante. Jack e Rimell teriam sido flechados e descartados no rio. O Cel. Fawcett teria sido morto com golpes de borduna e enterrado numa cova raza rente a uma árvore.
Diante desta declaração, Cláudio e Orlando Villas Bôas localizaram o local onde teria sido morto o explorador inglês. Lá foram achados ossos humanos e objetos pessoais evidentemente de nossa sociedade como: faca, botões e pequenos objetos metálicos. Teria, assim, terminado o mistério do desaparecimento do explorador inglês. A ossada passou por inúmeros testes, no Brasil e Inglaterra, mas não se chegou a uma conclusão satisfatória. Atualmente, os ossos achados em 1952 pelos Villas Bôas encontram-se no Instituto Médico Legal da Universidade de São Paulo. Foi realizado o exame de DNA mitocondrial mas a família Fawcett se recusa a submeter-se a este exame.
Em 1996 os índios da tribo Kalapalo capturaram uma expedição que visava solucionar o mistério e somente os liberaram após eles declararem desistência.

 A suposta ossada de Fawcett
 Um dos caminhos desbravados por Fawcett
 A comitiva
 Percy Fawcett e Jack Rimmell
 A estatueta que levou Fawcett à Serra do Roncador
 Campanha Ingesa no Mato Grosso


Fonte:
wikipedia.com

"A verdadeira História do Indiana Jones - A história de Percy Fawcett".  Hermes Leal.

Richard Burton (1821-1890)

 Richard Burton


Richard Francis Burton nasceu em Torquay, Devon, às 9:30 da noite, em 19 de março de 1821 (em sua autobiografia, ele erroneamente diz ter nascido em Elstree, Hertfordshire). Seu pai, Joseph Neterville Burton, ocupava a posição de tenente coronel do exército inglês e havia nascido na Irlanda, embora de linhagem inglesa. A mãe de Burton chamava-se Martha Baker, herdeira de uma fortuna considerável. A criança foi batizada em 2 de Setembro de 1821 na Igreja de Elstree. Teve um irmão chamado Edward Burton e uma irmã chamada Marie Katherine Elizabeth Burton.
Devido a complicações respiratórias, Joseph Burton viajaria com sua família pelo continente, fixando-se ora em cidades francesas ora em cidades italianas, em busca de um clima ameno, puro e seco, o contrário da Inglaterra.
Preocupado com a educação de seus filhos, contratou professores particulares, mas o aprendizado dos meninos foi durante algum tempo negligenciado. E como se não bastasse o problema da instrução, havia as constantes brigas e desafetos, aventuras e travessuras em que Richard e seu irmão se metiam. O pequeno Burton "logo deu mostras de um traço violento em seu caráter. Aos cinco anos quis matar o porteiro por ter troçado de suas armas de brinquedo". Aos três anos de idade, Burton receberia as primeiras noções de latim. Aprenderia com facilidade e rapidez o francês e o italiano.
A indisciplina e a rebeldia dos irmãos Burton era tremenda: em Nápoles, conheceram um grupo de prostitutas; em Pau, na França, foram convidados por contrabandistas a fazerem parte de uma quadrilha. Durante a adolescência no continente eram ingovernáveis: "Experimentamos de tudo o que se possa imaginar, inclusive a mascar e a fumar ópio".
Mas essa vida desregrada estava com seus dias contados. Em 1840, o coronel Burton e seus dois filhos retornam a Inglaterra. Estava decidido: Richard ingressaria no Trinity College, Oxford. De imediato a universidade causou-lhe má impressão e não demorou muito para criar os primeiros atritos. Embora fosse bom aluno, suprindo as deficiências de sua educação e se igualando aos colegas, Burton não sentia qualquer entusiasmo pela vida acadêmica. Logo ficaria conhecido por desafiar colegas para duelos, andar com prostitutas e frequentar acampamentos ciganos. Era patente o seu desprezo por colegas e professores, lamentando ter de passar a vida cercado de quitandeiros. Ele estava profundamente frustrado, pois via o modo como os outros estudantes "desaprovavam minhas maneiras estrangeiras, e minha aversão pelo colégio e pela universidade, em relação aos quais eu deveria me mostrar sentimental, terno e romântico, era quase uma blasfêmia".
Na primavera de 1842, após desafiar a proibição da universidade e ir assistir a uma corrida de cavalos, Burton foi expulso de Oxford. Não que ele fizesse muita força para ficar. Na verdade tinha outros planos: ingressar na carreira militar, nas fileiras da Ilustre Companhia das Índias Orientais, a empresa que monopolizava o comércio com a Índia e outras partes do Oriente. Ao abandonar a universidade sobre o alto de um coche, tocava uma trombeta de quase um metro. Com as rodas da carruagem destruiu os canteiros, acenando e mandando beijos para as moças das lojas.
Em 1842, Burton parte para a Índia com o intuito de engrossar as fileiras do 18º Regimento da Infantaria Nativa de Bombaim, exército da Companhia das Índias Orientais. Mesmo sem saber, estava rumando para o que ficou conhecido com o Grande Jogo: a disputa entre as potências européias por territórios na Ásia Central e Ocidental. Permaneceu em Bombaim durante poucas semanas, mas foi ali que começou a exercitar e aprender o hindustani, gujerate e persa, e onde também adentrou no fascinante e exótico mundo nativo por meio dos bazares e bordéis.
Recebendo ordens da Companhia, Burton parte para Baroda, uma cidade em Gujerate. Lá se envolveria com aquela que ele chamou de "booboo", uma esposa nativa, costume amplamente disseminado entre os ingleses na Índia. Adentraria no catolicismo, o que faria Isabel Burton afirmar que Richard era um católico. É mais provável, no entanto, que ele fosse agnóstico, embora posteriormente nutrisse franca veneração pelo Islã. Foi iniciado como brâmane em uma seita das mais misteriosas e primitivas, cujos sacerdotes adoravam a serpente, “naga”. Chegou ao ponto de receber uma honra nunca antes concedida a um ocidental ou recente convertido: a autorização para usar o Janeo, o cordão bramânico de três fios de algodão. Isso dava a Burton o direito de pertencer a mais elevada casta hindu.
Seu constante interesse e sua participação contínua na vida social e cultural nativa rendeu-lhe por parte dos colegas oficiais o apelido de "negro branco".
Em 1843 foi requisitado em Karachi, na província de Sindh, onde iria servir sob o General Charles Napier. A serviço deste percorreu as mais diversas regiões de Sindh, o delta Indo, chegando às fronteiras do Pundjab, atravessando as colinas baluchis, usando sempre do disfarce (comerciante, peão, dervixe), conseguindo transitar por diversas tribos, numa época em que outros foram mortos em pleno exercício da espionagem. Embora bastante conhecida e mencionada, de sua participação como agente secreto pouco se sabe, pois Burton não a menciona abertamente em seus livros.
Data dessa época seu envolvimento com o islamismo, que ele defendeu como a verdadeira fé salvadora, sendo um praticante confesso durante toda a sua vida, embora com algumas recaídas. Foi iniciado também na via mística do Islã, o sufismo, e entraria para a ordem Qadiris, a mais poderosa e difundida até então. Richard seria um pioneiro na divulgação dessa doutrina.
Burton esteve ligado ao Setor de Levantamentos de Sindh, um departamento de pesquisas e informações topográficas, aprendendo com o uso de equipamentos rústicos e simples a medir distâncias, conhecimento que seria válido em suas futuras explorações na Arábia e na África Oriental.
Designado por Napier para investigar os bordéis de Karachi, iria denunciar em um relatório o envolvimento de oficiais britânicos com jovens rapazes que se prostituíam, o que lhe valeu sérios danos a sua reputação, pois seus detratores logo levantaram a hipótese da participação de Burton nos bordéis.
Em março de 1849, após contrair uma séria enfermidade, frustrado com a vida na Índia (onde despertou a fúria de muitos e poderosos inimigos), Burton retorna a Inglaterra.
Cerca de um ano após seu retorno, Burton se instala em Boulogne. Dá início a um estudo exaustivo e rigoroso de esgrima, e seu manejo se tornaria célebre entre ingleses e franceses. Dividia seus interesses entre a escrita e as mulheres: estava envolvido com a redação de quatro livros ao mesmo tempo. Prolífico e criativo, mesmo assim Burton logo se viu visitado pela melancolia e seria assaltado por sérias depressões no decorrer de sua vida. Apaixonou-se por uma de suas primas, Elizabeth Stisted. Richard fazia muito sucesso entre as damas e teve inúmeros casos amorosos. " Como era não apenas um homem bonito, mas de forte magnetismo, as mulheres se apaixonavam por ele às dúzias". Acabaria conhecendo em Bologne sua futura esposa, Isabel Arundell.
Em 1853 parte para o Cairo com o intuito de visitar a cidade sagrada de Meca e "estudar meticulosamente a vida íntima do muçulmano". Sob os auspícios da Royal Geographical Society de Londres e a licença de um ano do exército, Burton iria realizar o famoso hajj, a peregrinação que todo devoto deve fazer à Meca pelo menos uma vez na vida, tendo condições físicas e financeiras para tal. Além do interesse religioso, havia a finalidade de conhecer e preencher lacunas cartográficas a respeito das regiões orientais e centrais da Arábia que eram desconhecidas
Suas experiências anteriores seriam de grande importância, uma vez familiarizado com o comportamento e costumes dos muçulmanos, pois disfarçado de peregrino teria que seguir à risca detalhes do modo de ser dos islâmicos: vestimenta, as minúcias de beber e comer, sentar e urinar, defecar, dormir e rezar, sem falar na prova inconteste de ser ou não um muçulmano, a circuncisão. Se Burton cometesse algum erro e fosse descoberto poderia ser morto.
Foi aconselhado por outro peregrino a abandonar o disfarce de hajj ajami e assumir o de pathano, homem nascido na Índia e de pais afegãos, uma vez que esse novo disfarce justificaria qualquer peculiaridade de seu sotaque. De toda a sua experiência nessa perigosa viagem resultaria um livro, The pilgrimage to Al-Medinah and Meccah (1855).
Em 1854, segue em direção a Bombaim de onde começou a formular uma nova aventura: uma expedição à África, mais especificamente à costa da Somaliland, que seguiria então para o interior até Harar, rumando em seguida para o sul, na esperança de localizar as famosas e misteriosas fontes do Nilo. A África Oriental e seus portos apareciam, então, aos olhos da Companhia das Índias Orientais, ávida em seus interesses estratégicos e comerciais.
O objetivo mais imediato de Burton era a lendária cidade de Harar. Mas de início ele logo sofreu oposição por parte de seus inimigos quanto à expedição pela Somália, que fariam de tudo para prejudicar seus planos. Em setembro desse ano conheceria o Capitão John Haning Speke, a princípio seu companheiro e amigo e logo um terrível rival.
Seguiu sozinho para a cidade sagrada de Harar, cujos muros nunca haviam sido ultrapassados por nenhum europeu. Seus líderes eram hostis até mesmo aos cristãos abissínios. Contava com a fama de ser um centro do islamismo e também como ponto do tráfico negreiro. Existia uma tradição que a cidade encontraria sua ruína à entrada do primeiro cristão. Superstição ou não, Harar cairia vinte anos após a visita de Burton
Ao entrar na cidade, foi apresentado ao governador, o Emir. Sob suas dependências, correndo o risco de ser morto, não ousou sequer tomar notas. A expedição durou quatro meses e trocando cumprimentos e votos mútuos, Burton se despediu do Emir.
Em companhia do Capitão Speke, do tenente G. E. Herne e do tenente William Stroyan, junto com um contigente de carregadores africanos, Burton seguiu com os objetivos da Expedição Somáli: a busca da nascente do Nilo. Mas em Berbera a expedição foi terrivelmente atacada por um grupo de tribos somális. As consequências foram trágicas: Stroyan foi barbaramente assassinado; Speke fora capturado mas escapou com inúmeros ferimentos e Burton teve um dardo penetrado pela sua face esquerda, o qual saiu pela direita, arrancando dois molares e cortando o céu da boca.
Os detratores e opositores de Burton e da Expedição logo acharam a oportunidade de culpar o Capitão pelo fracasso da missão. Houve uma investigação, mas mesmo não tendo culpa no ocorrido, o fato contribuiria negativamente para a carreira de Burton.
Em 1855, reincorporou-se ao exército a partiu para Balaklava, esperando participar da guerra da Criméia. Conseguiu um posto numa unidade de cavalaria chamada "Cavalaria de Beatson", cujo nome popular era "Cabeças Podres". Estes se envolveram em um motim e durante a investigação, Burton teve seu nome citado. Conseguiu, contudo, contornar a situação, apesar dos novos danos a sua reputação.
Conseguindo um novo patrocínio da Royal Geographical Society, em 1857, Burton partiu para a sua mais famosa exploração e também para o desfecho amargo e trágico com John Haning Speke. Eles partiriam de Zanzibar para explorar o coração da África e tentar descobrir as lendárias nascentes do Nilo, uma empresa romântica e altamente perigosa. Contudo, seu verdadeiro objetivo era levantar um conjunto de informações a respeito de erros geográficos e também verificar os possíveis recursos da África Central e intertropical.
A expedição sofreu com vários contratempos: roubos e problemas de conduta por parte dos carregadores e também as várias moléstias que acometeram Burton e Speke (Richard contraiu malária e teve inúmeras febres, sendo carregado em algumas partes da expedição; John contraiu uma espécie de cegueira e teve problemas em um dos ouvidos). Ambos prosseguiriam constantemente doentes África adentro. Em 1858, apesar de todos os percalços, Burton descobriu o lago Tanganica. Seu companheiro, ainda sofrendo de cegueira, foi incapaz de divisar o lago. O mal tempo e a perda de O mal tempo e a perda de instrumentos preciosos, bem como a hostilidade dos nativos, foram os grandes vilões da expedição.
Em suas constantes conversas com mercadores árabes, Burton tomou conhecimento da existência de um grande lago mais ao norte. Para evitar problemas, enviou Speke com o intuito de fazer um reconhecimento da região, uma vez que a presença deste junto dos nativos e árabes que acompanhavam a expedição não era bem quista. Speke demonstrava aos poucos a verdadeira têmpera de sua personalidade: um homem intolerante e bruto, insensível e profundamente ignorante quantos aos costumes dos nativos, ambicioso, sendo que frequentemente ofendia os carregadores, o que contribuiu muito para sua impopularidade na expedição.
Speke acabaria encontrando o lago Vitória, afirmando prematuramente ter descoberto a verdadeira fonte do Nilo. Os dois companheiros discutiriam a validade de tal afirmação, o que aumentou ainda mais o fosso entre os dois: Burton lamentaria que desde a descoberta do Vitória, seu amigo mudara radicalmente.
A disputa pública que se seguiu na Inglaterra acabaria por desfazer qualquer laço de amizade. Speke não cumpriria o combinado de apresentar-se em conjunto com Burton, pois ambos fariam um discurso aberto a respeito da expedição. Ao chegar em Londres, Richard encontrou Speke transformado em uma celebridade, vendo todo seu desempenho reduzido.
Inúmeras vezes Speke tentou denegrir e manchar a reputação de Burton. A descoberta do Vitória, entretanto, não mostrou conclusivamente que a fonte do Nilo era o lago. Burton e outros alegaram que as informações de Speke eram superficiais e imprecisas.
O desfecho de tão amarga, controversa e pérfida disputa ocorreu em 16 de setembro de 1864: Burton e Speke iriam se encontrar frente a frente para um debate público na região da British Association. Mas uma tragédia ocorreu: Speke morrera atingido por sua própria arma. Aquilo abalaria Burton profundamente. Visivelmente transtornado, Richard decidiu não dar o seu discurso.
Burton ao longo de sua vida foi ao mesmo tempo um brilhante linguista e aventureiro temerário, bem como uma figura complexa e polêmica. Sobre sua existência pairava uma série de rumores e suas opiniões (o abuso de poder inglês nas novas colônias e a iminência de uma revolta nativa, o ensino universitário deficiente, a liberalização sexual, a abolição do tráfico negreiro) e seus interesses singulares (afrodisíacos, circuncisão, castração, poligamia) contribuiriam para torná-lo uma pessoa não muito bem vinda nos lares vitorianos.
Em seus livros e traduções, notas e ensaios, comentou abertamente os mais variados hábitos sexuais dos povos que explorou, sendo preciso e minucioso: chegou a medir o pênis de um africano. Os inúmeros detalhes e temas e a maneira franca e ousada como os dissertava ofendiam a moral vitoriana e a classe media inglesa. Sua vida na Índia demonstra que participou ativamente de rituais sexuais e religiosos dos nativos, o que representou uma quebra e uma afastamento da moral cristã ocidental, rompendo com tabus sexuais, raciais e sociais de seu tempo.
Após relatar a ocorrência de oficiais britânicos que usavam dos serviços de jovens rapazes nos bordéis de Karachi, não faltaram rumores relacionando Burton e a homossexualidade, que pairou sobre sua vida desde então, especulada ainda mais por sua amizade com o poeta Algernon Swinburne e por andar frequentemente em companhia de jovens rapazes. Era viciado na maioria das drogas na época, fazendo uso do ópio e haxixe. Sofria de constantes depressões e durante o início da vida adulta teve problemas com o alcoolismo.
Os biógrafos estão em desacordo sobre se Burton teve ou não relações homossexuais (ele mesmo jamais o reconheceu explicitamente em seus escritos). Estas alegações tinham começado no Exército por ocasião de uma investigação secreta a pedido do almirante Charles Napier, efetuada dentro de uma casa fechada masculina frequentada por soldados britânicos. Alguns enxergaram na precisão de detalhes do relato de Burton uma indicação de que ele próprio frequentava o estabelecimento. Seus escritos posteriores sobre o tema da pederastia e o fato de que o casal Burton tenha se mudado sem filhos alimentaram ainda mais as especulações.
Burton possuía uma natureza explosiva e irascível, seu temperamento irônico despertou inimigos em diversos cantos do mundo.



 Fonte:
wikipedia.com


Curso de Técnicas Verticais Alaya Turismo de Aventura - Brotas-SP (Julho 2011)

Ao final do mês de junho, fui convidado por Leandro, um amigo que estuda na mesma universidade que eu, para irmos para Brotas, cidade do interior paulista. A cidade é a capital do turismo de aventura no estado, e o convite surgiu para que eu pudesse fazer um Curso de Condutor de Técnicas Verticais, e trabalhar na empresa que subsidia o curso, a Alaya Expedições e Turismo de Aventura. 


Previamente, apenas Leandro e eu iríamos de ônibus, mas no entanto, Leandro avisou depois de alguns dias que um outro rapaz iria conosco, de nome também Leandro, bombeiro na cidade de Santo Antônio da Platina-PR (80km de Ourinhos). Mudamos a forma de locomoção até Brotas, resolvemos ir com o carro do Leandro, o bombeiro, e assim tive que mudar a maneira que iria fazer para encontrá-los. Ourinhos se localiza como a última cidade na fronteira sul entre o estado de São Paulo, e o estado do Paraná. A separação é feita pelo rio Paranapanema, que acaba fazendo o papel de linha fronteiriça imaginária entre os dois estados. No entanto, logo ao cruzar o rio, existe uma praça de pedágio, que impede os motoristas atravessarem o trecho sem pagar. Meus dois amigos Leandro, moram na cidade de Jacarezinho-PR (20km de Ourinhos), e para não pagarem o pedágio, fizeram um contorno passando por outra cidade paranaense que dá acesso ao estado de São Paulo nas proximidade de Jacarezinho, Cambará. Assim sendo, tive que me deslocar para a cidade mais próxima dessa saída sem pedágio para o estado de São Paulo. Assim sendo, saí logo de manhãzinha da rodoviária de Ourinhos em direção à cidade de Salto Grande. De lá, eu iria encontrá-los e seguiriamos viagem.
Seguimos até a cidade de Leandro, quem havia nos convidado para a empreitada, em Echaporã, bela cidade situada numa serrinha, com algumas cachoeiras em seu entorno, daí explica-se a prática antiga de Leandro em técnicas verticais. A cidade fica entre a cidade de Assis, e a cidade de Marília, e está aproximadamente 120km de Ourinhos. De Echaporã, seguiríamos sentido Brotas. Partimos de Salto Grande as 9:30a.m, e nossa chegada estava prevista para as 13:00p.m, devido à nossa parada em Echaporã.

Em algum lugar entre Assis e Echaporã
 Leandro, eu, Leandro Bombeiro
 Leandro, eu, e Leandro Bombeiro
 Os três já em Brotas

Vale ressaltar, que não tínhamos certeza alguma de algum tipo de alojamento para nós enquanto estivéssemos em Brotas. Sendo assim, preparei minha mochila, como se fosse para uma incursão na mata. Apenas tínhamos a idéia de acampar. Fazia um frio tremendo naquele início de julho, e em nossas mentes apenas tínhamos a certeza de que iríamos passar dificuldades certemente. Mesmo com os benefícios que a empresa nos proporciona, passaríamos poucas e boas em Brotas.
Porém, ao chegarmos em Brotas, Leandro resolveu visitar uma amiga dos tempos em que trabalha na temporada para a Alaya. Ao chegarmos lá, fomos muito bem por uma senhora japonesa de 65 anos, Maria do Carmo, mais conhecida por todos como "Vovó". Ela vendo nossa condição, prontamente cedeu sua casa para que pudéssemos ficar. Sabia que iríamos enfrentar muitas dificuldades se fôssemos ficar acampados. Assim sendo, aceitamos o convite, e nos instalamos lá. Todo o meu equipamento para acampar fora trazido à toa, apenas serviu para fazer volume e peso na minha bagagem. Depois de saber que nossa situação estava confortável e garantida, só nos restava sair dar uma volta pela cidade para relaxar depois de uma viagem cansativa.

Maria do Carmo, "Vovó" para os íntimos

 Parque dos Saltos
Parque dos Saltos

Depois de uma noite reconfortante, nossas energias estavam recarregadas. Acordamos as 7:00a.m e fomos para a agência da Alaya para tratar da situação de inscrever-nos para o curso. Depois de tudo acertado, fomos em direção à base que nos fora designada.
A Alaya tem duas bases de treinamento e prática dos esportes de aventura que ela oferece. Na base chamada de A.C.A (Alaya Centro de Aventura), oferece-se espaço para a prática de escalada, rapel in door, arvorismo, arvorismo infantil, mini rafting, e bóia cross. Esta base fica localizada cerca de 4km do centro de Brotas. Dentro da propriedade correm as águas do rio Jacarépepira, onde são praticados os esportes de águas brancas (mini rafting e boia cross).
Na base conhecida como ECO PARQUE, são oferecidas as práticas de Voo do Falcão (Tiroleza), caiaque nas águas da Represa do Patrimônio, Cavalgada, Trilha, além do Canionismo. A base fica localizada à 22km de Brotas, num conjunto de terras arrendadas da fazenda Sinhá Ruth. Nas cercanias da área da Alaya estão localizadas 2 cachoeiras, a cachoeira do Patrimônio com 35m de atura, e a cachoeira do Jacaré com 45m. Já o Voo do Falcão é um conjunto de 5 vias de tiroleza, que costuram o cânyon do rio Jacarepepira que por ali passa.
 Cachoeira do Jacaré no ECOPARQUE
 Cachoeira do Patrimônio no ECO PARQUE
Esquema do Voo do Falcão
 Visão lateral do deck de Rapel e Escalada no A.C.A
.Visão frontal do deck de rapel e escalada no A.C.A

Primeiramente, fomos apresentados pela equipe da base, no caso, nós três fomos para o ECOPARQUE. Nosso instrutor, Daniel, experiente condutor e profissional de técnicas verticais, apresentou o conteúdo do curso e de todos os desígnios da função. Foi nos perguntado o conhecimento prévio de algum tipo de prática em altura, o que no entanto era nulo. Assim, passamos à ter as instruções teóricas sobre as atividades. Já logo no primeiro dia, tivemos contato recreativo com a atividade do Voo do Falcão, e as informações sobre todo o operacional.
No segundo dia, passamos a ter instruções sobre nós e ancoragens para descida de rapel. Daniel nos ensinou os parâmetros técnicos de todos os nós e das ancoragens, evidenciando qual é o tipo de procedimento mais apropriado para determinadas situações. Depois, fomos para o deck de treinamento de rapel (uma plataforma de 6m de altura). Lá tivemos noções práticas de todos os procedimentos que deveríamos ter durante as descidas das cachoeiras. Até esse momento, eu não evidenciava nenhum tipo de medo. A atenção em aprender todos os procedimentos era muito mais importante, e assim, fiquei muito concentrado.
No dia seguinte, seria o momento de colocarmos o medo à prova, e conseguir vencê-lo, tornando-se alguém mais sábio e perspicaz. Logo pela manhã, de um dia muito frio por sinal, descemos para o cânyon do rio Jacarepepira para preparmos a ancoragem para a primeira descida do dia, a descida da cachoeira de São Sebastião do Patrimônio. A cada passo que eu dava em direção à cachoeira, ficava cada vez mais excitado - sentia a adrenalina correr nas veias. Chegando lá, a condutora Fernanda e o condutor Igor, passaram a preparar o local para a elaboração da ancoragem. Uma corda de 100m foi usada para a criação da via de descida. Assim que tudo estava pronto, Igor desceu primeiro para lá embaixo, fazer a segurança de quem fosse descer depois.
Chegou a hora. Eu me deparei com aquele precipício e o medo e a excitação tomaram conta de mim. Porém, não perdi o foco. Chequei meu E.P.I (Equipamento de Proteção Individual), olhei para Fernanda, e ela me deu sinal de positivo. Comecei a descida. Foram até hoje, os momentos mais radicais que vivi. Ao passo que sentia aquela torrente de água cair no meu peito, senti a força da natureza. Uma experiência extasiante!


 Leandros
 Pátio do ECOPARQUE
 Pátio do ECOPARQUE
 Bombeiro na Slackline
 Transportes de Condutores e Aspirantes
 22km
 Agência Alaya
 Equipe indo para o ECOPARQUE
 Daniel, o Instrutor
 Display na agência
 Estrada Brotas - Torrinha
Estrada Brotas - ECOPARQUE

 Recebendo instruções
 Recebendo instruções
Descendo o deck
Instruções na cachoeira
 
Descendo
Água
Vista do Voo do Falcão

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domingo, 5 de junho de 2011

Acampamento Inhumas - Ribeirão Claro (PR) 13 à 18 de dezembro de 2010

No mês de dezembro do ano passado, eu e Thiago, partimos à nossa mais longa jornada. Ficamos cinco dias acampados nas águas de Inhumas, famoso local margeado pelo rio Paranapamena, e próximo à Cachoeira Véu da Noiva, em Ribeirão Claro, município do norte do estado do Paraná.
Partimos no dia 13/12, aniversário da cidade de Ourinhos. Segunda feira, feriado. Desta vez, pedimos para que um casal de amigos, que tem um veículo, para que nos levassem até o ponto de acampamento. Havia uma grande quantidade de provisões e utensílios para a estada. Afinal de contas, seriam cinco dias que eu e Thiago passaríamos que em total isolamento. Por um descuido com o horário, acabamos chegando atrasados. Nossa instalagem de primeira noite, fora feita às pressas e no improviso, mesmo tendo um tanto de horas para podermos explorar o local.
Fizemos nossas redes com cordas e telas de proteção de horta. Nossa intenção inicial, éramos abrir as telas em um braço de rio, tentaríamos pegfar peixes durante a noite, mas no entanto, o acesso a margem do riacho fora muito dificultosa. Preferimos então, utilizar a tela para nosso abrigo. Também fizemos uma prateleira  de babum, suspensa com cordas para colocarmos nossas provisões. Fizemos também uma fogueira, que usamos para além de cozinhar, espantar os mosquitos que por ali estavam, e se alimentavam de nosso sangue.

 Prateleira suspensa
 Rede improvisada
 Thiago preparando o alimento
 Crepúsculo
Deep Purple

Já nas primeiras horas do dia, eu e Thiago partimos para a nossa real aventura. O local escolhido é um riacho que tem 40km de extensão, ele tanto encontra, como desagua no rio Paranapanema. Percorreríamos cerca de 1km adentro deles. Riacho repleto de rochas, e profundidade de 2 metros nos locais mais profundos. 
Demoramos cerca de duas horas para completarmos o trajeto. Ainda não sabíamos onde seria o local mais propício para que pudéssemos montar nosso acampamento, e sendo assim, andamos pouco mais do que havíamos planejado. Durante o percurso, tivemos contatos com uma variedade enorme de animais e plantas, devida à grande conservação do ambiente. Há ali, uma grande quantidade de espécies animais e vegetais - e todos estão em plena preservação (pelo menos nos primeiros 3km).
O acesso do riacho, deu-se inicialmente por uma trilha que logo findara. Depois disso, passamos à andar por cima das pedras do riacho. O curso sinuoso, e a dificuldade de locomoção, fizeram com que tivéssemos problemas quanto ao rendimento da marcha. Por infortúnio, diante de uma pequena trilha nas margens do riacho, cerca de 2m do chão, eu fora surpreendido por um enxame de abelhas que me atacaram. Levei cerca de quatro picadas na região dos olhos, e por sorte, não caí nas pedras do riacho. A queda certamente seria fatal.

 Localização do Riacho no Google Earth
 O riacho
 Caminhos rochosos
 Bicho-Pau
 Aranha d'água
 
O ataque das abelhas

Depois de uma caminhada demorada, encontramos o que nos pareceu ser o melhor local para acamparmos. Ali naquele ambiente realemente não há muita opção para que se possa fazer um. Estávamos numa época chuvosa, de grandes tempestades relâmpago, e isso, poderia ser prejudicial, pois assim o riacho iria inundar com uma tromba d'água fatal. Porém, não havia o que pudesse ser feito. Tentamos fazer abrigos suspensos nas árvores, mas no entanto, todas as nossas tentativas foram falhas. Só nos restava então, armarmos uma espécie de plaforma com árvores, pois só assim, conseguiríamos nos manter o mais alto possível do nível da água do riacho. Passamos então, à construir a plataforma, e não demoramos mais do que 3 horas para concluí-la. Durante a construção acendia fogueira e fiz nosso almoço. 
Para constuir a plataforma, usamos madeiramento que a própria natureza os proporcionou. Fixamos a estrutura no chão arenoso, através de buracos, e para afirmar a esturutura usamos as cordas. Para deixarmos a plataforma mais fofa e confortável, usamos folhagens das plantas e àrvores que estavam ao nosso redor. Para prendermos as folhagens, cobrimo-la com as telas de horta que trazíamos conosco.
Só no meio da tarde, que pudemos desfrutar de um passeio para explorarmos mais o ambiente. Com o calor em excesso, não nos preocupamos com o frio, e sendo assim, estava decidido que dormiríamos sob a plataforma no relento.

 Queda d'água próxima ao nosso acampamento
 Plataforma
Visão frontal da plataforma.

Nossa primeira noite no local, foi alegre. Nossas energias não haviam se esgotado por inteiro. Passamos umas boas horas até a madrugada ouvindo o som da queda d'água, e observando o hábito dos animais noturnos. Havia uma quantidade muito grande de morcegos que sobrevoavam nossas cabeças na calada da noite. Com a luz do luar e da fogueira, pudemos relaxar depois de um dia estafante de trabalho. Sentía-mos nos realizados, e para celebrar tomamos cachaça para trazer o sono mais depressa. Nos próximos dias, enfrentaríamos nossos maiores obstáculos: solidão e o tédio.
 A noite se aproximando
 O Sol já não brilha mais
 A lua
O fogo

Nosso terceiro dia na mata começou animado. Eu e Thiago saímos para fazer uma varredura nos arredores, queríamos encontrar novos animais e plantas, além de percorrer o máximo do ambiente possível. Passamos a manhã inteira neste empenho, e nossas descobertas foram fantásticas. Primeiro, ficamos observando um grupo de gaivotas que tinham os seus ninhos próximos do nosso acampamento. Depois, quando saimos para dar uma volta, ficamos perplexos com as formações rochosas do ambiente. 
Algumas rochas foram milimetricamente esculpidas pela água durante milhares de anos - além de que, algumas formações lembraram-nos de lava escaldante, que ao encontrar-se com a água, petrifica-se. Dentro de nosso leigo conhecimento no assunto, pudemos estudar e formular várias teorias sobre a formação do ambiente. 
Descobrimos também uma fruta, na qual não conseguimos identificar. Foi uma pena não termos tirado uma foto do fruto para que pudéssemos descobrir sua identificação. O que pode ser relatado é que ele tem coloração avermelhada, lebrando um caqui em miniatura. Outra fruta que encontramos, ao que imaginamos, deve ser uma variação da fruta blueberry, pois era muito semelhante à mesma.  Outra curiosidade, foi ver em diferentes aspectos, o futo de uma variação de cacto. Visualmente muito saboroso, mas no entanto, não arriscamos experimentar o fruto.
Caminhando
Formação rochosa
Preste atenção no corte da rocha
Não parece lava petrificada?
Descanso
Cacto
Fruto

Durante os dois últimos dias, estávamos bastante abatidos. Ao passo que alguém pode imaginar que tarefas simples como: colher lenha, coletar água e filtrá-la, lavar panelas e pratos, cozinhar, lavar roupa, e cuidar do abrigo; seja fácil, mas quando tais tarefas executadas diariamente sob condições adversas, pode se tornar um transtorno. É um grande meio para perdermos a estabilidade psicológica.
Além disso, a saudade dos familiares, e de alguns confortos propiciados pela vida urbana, povoaram nossos pensamentos. No entanto, havíamos estipulado uma meta de 5 dias de aventura, e de maneira alguma, deveríamos quebrar essa condição. Fora um grande percalço estes dias que estivemos dentro daquela mata. Ao voltar para civilização, coisas  que para os outros são de uma grande simplicidade, para nós passou a ter um valor mais significativo. Desde um afago de um ente querido, como água quente no banho, hoje certamente tem uma grande importância em nossas vidas.
Caminhos perigosos
Flores
Flores
Flor
Uma última olhada na plataforma
Abelha
Riacho