O espírito do "que caminha pelas matas", em nós habita. Que haja fôlego e disposição.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Acampamento na Praia de Naufragados - Florianópolis/SC (reveillón 2011)

Vista Aéra da Praia de Naufragados (extremo sul) - Fpolis/SC



Eu, Bruno, estou passando férias, desde o dia 27 de dezembro na Ilha da Magia, ou seja, Florianópolis, ilha banhada pelo Atlântico Sul. A cidade, é a capital do Estado de Santa Catarina. Desde o início de minha adolescência freqüento, nos períodos de férias, as belas paisagens do lugar. Sempre fui fascinado pela ilha.
Agora, com maturidade suficiente, e depois de ter tomado conhecimento de algumas pessoas interessantes, habitantes da ilha, criei laços fortes com o meus amigos, e com o ambiente.
Hoje em dia, conheço bem todos os arredores da ilha. Ando com desenvoltura pelos seus bairros e praias. Assim sendo, tenho uma liberdade que, há muitos anos venho trabalhando - minha independência de localização e locomoção. Saber andar por onde se está.



30/12/2010

No dia 30 de dezembro de 2010, uma turma partiu do Morro do 77, no bairro da Trindade - onde localiza-se a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Essa turma, consistia em: eu, Fernando, Mei, e Franco, que auxiliados pelo meu pai que nos deu uma carona, partimos para Naufragados as 10:00a.m. O trajeto do local onde estávamos, até a entrada da trilha que da acesso ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, e por conseguinte, a Praia de Naufragados.
Parque Estadual da Serra do Tabuleiro
Trilha através do Google Earth
Início da Trilha

A duração da trilha, gira em torno de 50 min (sem bagagem) 70 min (com bagagem). Formada por um barro traiçoeiro, que, molhado, leva muitos ao chão. O trajeto é marcado por uma grande inclinação, o que dificulta e desgasta o físico do trilheiro rapidamente. A dica é economizar energias, e seguir na marcha que mais convenha. Despois de alcançar o ponto mais alto da trilha, ela agora toma formas de um declive longo e acentuado, que na ida acaba ajudando transpassar o percurso, mas já na volta acaba prejudicando um pouco - imaginem que os 25% de subida e os 75% de descida no início, se transformarão em 75% de subida, e 25% de descida. Na ida, a descida proporciona lindas paisagens, que pegam quem faz a trilha pela primeira vez, de supresa. Das mais agradáveis.
Durante boa parte da trilha, percebe-se claramente a composição da Mata Atlântica quase que intacta (são apenas uma ou outra intervenção do homem que é perceptível). Logo ao seu final, a característica do ambiente, começam a evidenciar-se, como das comuns composições de flora de litoral. A mata densa e extremamente verde, dá lugares a descampados com o terreno arenoso, onde encontram-se em sua variedade vegetativa, plantas como cactos, árvore chapéu de couro, além de arbustos rasteiros e resistentes à longos períodos de estiagem.

 O início da trilha não revela o esplendor
 Acesso difícil
 Corredeira de um riacho na trilha. Água geladíssima e super potável
Dentro das matas fechadas no entorno da trilha
 Ja chegando próximo à praia
 
Casas construídas no meio do mato, próximas à trilha


Como é de costume de turistas e de nativos, na virada de ano muitos acampam nos arredores de Naufragados. Ao chegarmos bem mais próximo da praia, conseguíamos ver vários acampamentos armados nas clareiras da mata (claro que semopre protegidos do sol). Depois de pouco andar  já nos deparamos com um riacho que encontra o mar, tornando sua água salobra, mas que, mais além nos será muito útil.
Riacho de águas salobra

Andamos mais um pouco adentro da mata, e escolhemos nosso lugar para acampar. Era uma boa clareira de cerca de 50m, que era protegida pro frondosas copas de árvores ao redor. Logo armamos o acampamento, e nos deparamos com um problema. Pelo fato de muitos procurarem o lugar para acampar, a lenha seca estava escassa. Mais tarde haveríamos de ter problemas para a fogueira da noite, aquela que ilumina as faces e espanta os mosquitos. Por quanto, utilizando a técnica da lata de refrigernate cortada, com álcool dentro, e um pedaço de carvão, Fernando, prontificou-se á fazer o almoço. Estávamos completamente fartos de provisões. Tudo dava a entender que, se apenas nós quatro utilizássemos o alimento, passaríamos alí, pelo menos até o dia 4, ou 5 de janeiro. O peso, da bolsa com os alimentos, muito nos prejudicou durante o percurso da trilha até a praia. Mas saberíamos, que certamente fome não passaríamos em momento algum. Havia também o fato de que, durante nossa estada no acampamento, alguns de nossos amigos apareceriam por lá. No que contávamos, certamente mais 4 ou 5 pessoas passariam pelo nosso acampamento. Algumas permaneceriam.
Foi o que aconteceu. Já no primeiro dia começaram a surgir os participantes do reveillón alternativo.


Depois de muito procurar lenha, tomamos uma iniciativa: enquanto uns iriam buscar lenha descendo o riacho com um colchão inflável de casal, procurando um local  não explorado pelos outros que ali nas imediações acampavam; e outros iriam, com facão e serra de poda, buscar nas próprias árvores, galhos já comprometidos, pois ali haviam muitos galhos secos nas árvores. Nessa tarefa, todos nós fomos bem sucedidos. Sabíamos que ao cair da noite, teríamos uma fogueira bem acolhedora, que mesmo no verão ajuda de qualquer maineira um acampamento.
No meio da tarde, fomos visitados pelos nossos "vizinhos", que se apresentaram como Nico, e  Minhoca. Os dois, de uma simpatia cativante, residem na parte continental, ou seja, na Grande Florianópolis, complexos de cidades que dão nome à região. Depois de ficarem pelo nosso acampamento durante um tempo, voltaram para o deles, convidando-nos para visitá-lo mais tarde.
Depois de apenas alguns instantes, depois da saída de Nico e Minhoca, fomos visitádos por um cara chamado de Cabral - um punk, com moicano amarelo, trajando coturno e indumentárias militares. Conhecido de Fernando, permanecei por ali um tempo. O bastante para nos contar sua história. Ele dizia estar alí desde setembro do ano corrente (2010), era morador do Norte da Ilha, no bairro da Vargem Grande. Decidira partir nesta empreitada de viver ali amcampado, com o pretexto de desanuvia de idéias sem sentido. Figuraça que certamente deve estar por lá ainda.
Durante á noite, tudo correra bem a fogueira cantou alto e nos iluminou, e para conseguirmos mais luz, improvisamos alguns castiçais com a boca de garrafas pet cheias de arreia para dar sustentação à uma vela, e estes mesmos funis foram afixados em estacas de madeiras fincadas ao chão. Nossa iluminação estava completamente eficiente. 
Para não devermos na visita, fomos ao local indicado por Nico e Minhoca, e lá encontramos o acampamento deles ( que diga-se de passagem, muito bem estruturado). Fomos convidados para a janta, que consistia numa ótima feijoada - que mesmo com o calor um pouco excessivo, caiu bem ao estômago e não proporcionou nenhum mal estar, ou pesadelos durante o sono. Depois da janta, aquele bate papo, uma caminhada na praia, e nada mais restava além de uma bela soneca.


31/12/2011


Vista da Praia de Naufragados através da trilha que dá acesso ao farol
 
Nosso dia, começou com o calor incessante já logo nas primeiras horas da manhã. Uma chuva de verão também nos pegou de surpresa, mas nada que pudesse ter prejudicado nosso acampamento. Assim que cada um acordava, ia preparando seu café, ou seu leite.
Estávamos todos muito excitados, pois havia muitas coisas para se descobrir ainda. Muita coisa a aprender. Haviam os que queriam apenas aproveitar o bom tempo, o mar, e a praia, e haviam outros que estavam atentos a poder ter contato com novas idéias, novos artifícios. Depois de um ligeiro desjejum, fomos ao acampamento de Nico e Minhoca, que partiam para colher a lenha do dia. Assim sendo, saímos para um passeios nos arredores, para poder conhecer mais o ambiente. 
Enquanto Mei, lavava a louça, eu a observava e nós conversávamos. De re pente, avistamos do outro lado da margem do riacho de águas salobra, um roedor, que por falta de informação de nossa parte, não soubemos distinguir. Fica apenas a dica, o animal mede cerca de 1m de comprimento (contando com a cauda), focinho estreito e pontudo, que facilita o olfato, pelagem curta, variando entre o cinza e ocre, e o rabo, fino e sem pelagem. Ele estava bebendo água na margem do riacho.
Tratei logo, junto com Fernando, de fazer a coleta de lenha descendo o riacho. Eu que ainda não havia tido contato com essa atividade, estava me deliciando. O riacho, tinha profundidade média de 1,50m, mas que em alguns pontos passava de 1,80m. Depois de remarmos cerca de 100m pra dentro do rio, encontramos a paragem onde apanharíamos a lenha. Lá, por ser local de uma acessibilidade complicada, fazia com que houvesse lenha em abundância. A dica de irmos neste determinado local, fora dada por Nico e Minhoca, que de lá, também extraiam seu calor.
Pela hora do almoço, nos deliciamos com uma mesa farta. Havia muita coisa. Tanto que dava para abrirmos uma venda por ali. Desde leite em pó, até calabreza. Mais uma vez nos alimentamos muito bem, e depois do almoço, um descanso básico. 
No meio da tarde, resolvi andar pela praia. Sabia, que, um amigo meu de minha cidade, Ourinhos-SP, que sua mãe morava em Florianópolis, e assim sendo, estava em companhia de mais outros amigos do nosso rincão paulista. Era ele, Sílvio, Guaxinim, Pescador, Tati, e a Meg. Pela minha andança, nem indícios deles, mas eu sabia que estavam por lá. Faltava apenas achá-los.
Retornando para o acampamento, passei pelo acampamento de Nico e Minhoca. Lá conversamos sobre inúmeros assuntos, nos quais, dentre eles, a extração de alimento que o mar nos provém. Falamos sobre como armar armadilhas para pegar camarões e pitu, além de como extrair marisco das pedras do cantão da praia, e pegar siri. Encantado com as dicas obtidas, combinei com eles, que no dia seguinte, iríamos fazer este empenho.
Já nas instalações do nosso acampamento, todos reunidos, nos alimentamos, e começamos à nos preparar para a festa da virada de ano. Haviam chegado mais dois amigos para celebrar conosco. Eu e Fernando, começamos à montar a enorme fogueira dentro de uma clareira próxima do nosso acampamento. Ela seria majestosa. Alguns já começaram a beber antes do sol ir embora. Por volta das 21:30p.m, já ouviam-se prenuncios do que seriam as comemorações. Alguns rojões já explodiam e ecoavam aos quatro ventos. Ao total, haviam cerca de 10 pessoas na nossa trupe.
Por volta da 00:00a.m, quase todos já estavam inbebriados o suficiente para abrir caminho nas matas com as pernas. Iam abrindo caminho em meio à escuridão. Tal foi o nível de embriaguez e de descuido entre os participantes, que a cozinha instalada por Fernando, fora pisoteada e desfeita durante à noite. O grande atrativo da noite, foi uma garrafa de cachaça de alambique, produzida pelos nativos dos arredores de naufragados. Um deleite. Agora era só esperar a ressaca no dia seguinte.


01/01/2011

Canto direito da praia ( ao fundo o Farol)

O Farol
Caminho de acesso às pedras para extração de marisco

Chegando ao Cantão, Minhoca, prontamente se pôs dentro da água junto com Franco. Minhoca, explicou à mim e à Fernando, para ficarmos de olho na maré, que com sua sequência de ondas, haveriam de prejudicar os extratores. A ténica de observação consistia em avisá-los a cada três ondas fracas, vinha uma forte, que se não previamente observada, poderia colocar a vida dos extratores em risco, pois os jogaria fortemente contra as pedras. No momento da onda forte, Minhoca e Franco, seguravam-se como podiam nas rochas para não serem arremessados contra as mesmas.
Depois de cerca de 40 minutos de extração, estávamos com cerca de 10kg de mariscos em casca ainda, o que depois de retiurados da carapaça, não passaria de 3 ou 4 quilos. Nosso almoço fora uma mariscada digna de qualquer marajá.
Durante a tarde, Nico me ensinaria como armar as armadilhas para pegar os camarões e os pitus. A técnica consiste em você cortar os gargalos de garrafas pet de 2l, depois, encha o fundo com pedaços de pão e água. Ao completar, coloque o gargalo da garrafa, como um funil dentro da garrafa. O buraco do funil será a passagem onde os camarões e os pitus irão entrar para se alimentar dos pedaços de pão, e não conseguirão passar pelo mesmo buraco para sair. Amarre a garra numa corda, amarre a beira de um riacho de águas salobra, coloque a garrafa imersa e aguarde. Em algumas horas, suas garrafas estarão repletas deste alimento. De nossa experiência, a garrafa mais cheia, continha cerca de 18 camarões e pitus, todos amontoados, presos, esperando serem limpos, e irem para a panela.
Durante a tarde, alguns de nossos companheiros, debandaram. Ficamos apenas em 6 pessoas, o que facilitou e muito a administração do acampamento. Passamos a tarde nos divertindo no que aquele paraíso nos proporcionava. O ponto alto da diversão, era surfar no colchão inflável. Realmente, muito engraçado!
A noite, em vista do cansaço, nos alimentamos e rapidamente, sem muito papo, nos colocamos à dormir. Neste momento, já sofríamos com a moléstia que mais nos perturbou durante o acampamento - os carrapatos, carinhosamente apelidados de micuins. Os pequenos insetos, se alocaram nas regiões mais peludas dos garotos. Não havia um que não saía por aí reclamando, e se coçando.

Eis aí o carrapato "micuim"


02/01/2011

Devido ao ataque massivo dos "micuins", muitos, no dia 02, debandaram. Era muito stress ficar se coçando sem parar. Por fim, sobraram apenas, eu e Franco, que ao que me parece, por já ter tido contato anterior com os carrapatos, assim como eu, ficou tranquilo. Porém, eu também decidira levantar acampamento e ir embora.
No caminho na praia, em direção à outra trilha de acesso à praia, encontrei finalmente meus amigos de Ourinhos. Tínhamos nos encontrado durante a festa de reveillón, mas como eu estava mais pra lá do que pra cá, imaginei ter sido um sonho, uma projeção, o encontro na virada do ano. Decidi assim, armar acampamento com eles, pois poderia aproveitar pelo menos mais dois dias ali naquele lugar maravilhoso. Voltei ao antigo acampamento, onde havia deixado minhas provisões com Franco. Agora iria prescisar delas. No entanto era pouca coisa.
No almoço, nossa refeição, fora arroz com seleta de legumes, e um gomo de calabresa. Passamos o resto do dia nos afazeres de manutenção do acampamento. O grande problema que enfrentaríamos a noite seria, a falta de alimento. Não obstante dos obstáculos, fui até o acampamento de Nico e Minhoca, onde lá me armei de uma tarrafa emprestada por eles. Na noite, é muito bom para pescar naquele mesmo riacho de águas salobras onde pegamos camarões anteriormente.
Nico e eu, fomos em busca de peixes no riacho, e de siris na beira da praia. Numa primeira tarrafada, peguei cerca de 8 tainhas jovens, com cerca de 20 cm de comprimento. Depois, partimos em busca dos sirirs na praia. Pegá-los foi muito mais trabalhoso do que pescar as taínhas, já que em apenas uma lançada de rede, pequei tantos peixes, ao contrário do que acontecera com os siris. Cerca de 1 hora de caça, apanhamos cerca de 10 siris apenas.
Ao retornar para o acampamento dos ourinhenses, estes por sua vez, ficaram muito feliz com a pesca que eu troxuera. Pescador,. exímio na arte de pescar e limpar peixes, rapidamente colou-se à limpar os peixes. Em 40 minutos, estava servido um belo prato de arroz, com tainha frita. Depois, na calada da noite, quando estávamos com fome novamente, fizemos os siris cozidos. Para alguns alí, era a primeira vez que comiam, e parecia uma iguaria.

Camarão

 
Pitu

Siri

 Tainha
Marisco


03/01/2011

Já de manhã, prontificamos à preparar uma alimentação, desarmar o acampamento. Acordamos tarde, e por sua vez, aos domingos, o trânsito de ônibus no sul da Ilha de Florianópolis, e muito ruim. Poucos horários para atender a população de moradores e de turistas.
Por sorte, logo ao saírmos e completarmos a trilha de volta, 15 minutos depois de chegarmos ao ponto de ônibus, o mesmo chegou. Saímos de Nuafragados às 15:00p.m, e eu cheguei na casa de meu pai por volta das 18:00p.m. Feliz da vida pela experiência.

4 comentários:

  1. Gracias amigo por hacerme ver tal cuál es Naufragados, mi lugar en el mundo, y mi otra casa: La casa de mi hermano Cravo y otros "vagabundos" amigos.
    Favio de Santa Fe de la Vera Cruz, Argentina.

    Obrigado amigo por me fazer ver Naufragados como ele é realmente. E o meu lugar no mundo, e minha outra casa: A casa de meu irmão Cravo e outros "vagabundos" amigos.

    ResponderExcluir
  2. tem como mandar a localização do começo da trilha amigo?

    ResponderExcluir